O mestre que transformou Vila Franca de Xira em capital nacional do Muay Thai

José Fortes é o responsável pelo ensino da modalidade na União Desportiva Vilafranquense.
Nasceu em África mas veio para Vila Franca de Xira ainda novo para promover uma arte marcial que em breve será modalidade olímpica, o Muay Thai. José Fortes já foi campeão do Mundo, da Europa e de África e é hoje o mestre da União Desportiva Vilafranquense, cargo que acumula com o de presidente da Federação Portuguesa desta modalidade.

A cidade de Vila Franca de Xira é a capital nacional do Muay Thai e é dela que saem os grandes valores desta modalidade. A garantia é do presidente da Federação Nacional de Muay Thai, José Fortes, que é também o mestre da escola de luta da União Desportiva Vilafranquense (UDV).

“Os atletas da UDV foram os primeiros atletas portugueses a combater Muay Thai no estrangeiro. Nos primeiros campeonatos do mundo de amadores, realizados na Tailândia em 1995, Vila Franca esteve lá. E tem estado sempre”, conta com orgulho o mestre de 47 anos que já se considera um vilafranquense. “Já moro nesta cidade há mais de 30 anos e gosto muito”, conta.

Actualmente afastado da luta, José Fortes não apaga o seu palmarés: mais de uma centena de combates, três vezes campeão de África, duas vezes campeão do Mundo e uma vez campeão da Europa. “De todos os combates devo ter perdido uns 5 ou 6, sem exageros. Eu apliquei-me mesmo a sério nesta arte. Além destes títulos ainda competi em vários campeonatos desde o Egipto ao Senegal”, recorda. O combate mais duro foi contra um holandês, onde foi derrotado. Nesta disciplina já partiu um braço e cortou o lábio. Aprendeu a arte marcial ainda novo, em África, com um mestre filho de pai japonês e mãe tailandesa. Começou a correr mundo e a competir duramente. Foi dos primeiros a trazer esta arte marcial para Portugal. Ainda hoje faz do ensino do Muay Thai a sua principal missão.

“Antigamente a modalidade não era tão divulgada e os combates não eram tão fáceis. Claro que hoje em dia há 50 mil pessoas para a mesma coisa, mas nas categorias de peso não havia regulação, eu cheguei a combater com atletas com mais seis quilos que eu, ou até mesmo 10. Dependia muito. Hoje em dia existem as classes e categorias, está tudo como deve ser”, recorda.

A tradução literal de Muay Thai significa “arte da liberdade”. É uma arte marcial antiga, originalmente praticada e usada pelos soldados tailandeses para defender o reino dos saqueadores e dos invasores da Birmânia. As lutas eram frequentes. Mais tarde a arte marcial evoluiu, começou a ser ensinada a todos os que desejavam combater e começaram a ser usadas luvas em vez de cordas, como os soldados usavam originalmente. Mais tarde o Muay Thai virou desporto de combate.

“Para mim é a arte marcial mais eficaz porque está muito experimentada. Há mais de 2 000 anos que se combate Muay Thai. É uma arte marcial muito aliciante e verdadeira”, refere o nosso interlocutor.

Actualmente a escola da UDV tem perto de 50 atletas, a maioria de fora do concelho. “Os vilafranquenses apoiam-nos muito mas praticam pouco. A maioria dos meus atletas vêm de fora, de Santarém ao Algarve”, revela. As recentes cheias na cidade inundaram o pequeno espaço no pavilhão da UDV onde hoje decorrem os treinos mas poucos dias depois com a ajuda dos vários alunos já tudo estava em ordem, só faltando a instalação do ringue. “Não temos apoio de quase ninguém, tirando do clube. Vivemos com grandes dificuldades, mesmo nas provas em que representamos a UDV. E temos vários campeões do Mundo que cresceram nesta escola”, lamenta. Hoje em dia José Fortes é também presidente da Federação Nacional de Muay Thai, que tem o apoio do governo da Tailândia. “Há ainda um grande caminho a percorrer na divulgação da modalidade. O objectivo é levar esta federação a obter o estatuto de utilidade pública desportiva. O Muay Thai vai ser modalidade olímpica, já foi aceite pelo comité, e por isso há muito a fazer no sentido de preparar os atletas”, conta. Enquanto presidente, José Fortes lança um alerta: “um apaixonado por esta arte que a queira aprender deve certificar-se que vai aprender com quem sabe. Quem quer aprender deve estar em escolas ou associados que estejam ligados à federação, senão correm o risco de serem aldrabados porque hoje em dia há muitos charlatães que aproveitam a fama deste desporto para ganharem dinheiro”, conclui.

O primeiro campeonato nacional daquele organismo juntou 120 atletas, muitos deles das escolas da UDV. “Infelizmente por todo o país não se olha para as modalidades. Mas nem todos jogamos futebol”, ironiza.

Open de Vila Franca de Xira junta meia centena de atletas

No próximo dia 20 de Março, no pavilhão da União Desportiva Vilafranquense, decorrerá durante todo o dia um Open de Muay Thai, que contará com a presença de meia centena de atletas de todo o país. A prova será uma oportunidade para os populares tomarem contacto com esta arte marcial e para serem criados ritmos de combate. “É uma grande oportunidade para ver outros atletas em acção e preparar outras provas dos campeonatos”, conta José Fortes.

Fonte: O Mirante

 

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“Se há característica irritante em boa parte do povo português é a sua constante necessidade de denegrir e menosprezar o que é feito dentro de portas. Somos uma nação convicta de que nada de bom pode sair da imaginação do português comum e que apenas o que nos chega do exterior é válido e interessante.”