Em Vila Franca de Xira há quem pague para conversar numa tertúlia diferente

Na noite de 25 de Janeiro o Ateneu Artístico Vilafranquense voltou a ser palco de mais uma “Tertúlia do Zero”, onde se falou de imensos assuntos menos do tema que dava mote à iniciativa: a “liquidação total”. Este mês as conversas da tertúlia tinham por base o tema “saldos” mas praticamente ninguém quis abordar o assunto. Uns por falta de dinheiro para fazer compras, outros porque simplesmente acharam o tema aborrecido. As únicas coisas que ainda permitiam lançar alguma discussão sobre o assunto eram as várias quinquilharias que se encontravam disponíveis para os tertulianos comprarem, entre loiças antigas e discos de vinil de Madonna.

Em algumas mesas por onde passámos falava-se de sexo, automóveis, Benfica, dinheiro, Giorgio Bassani e da extinção das velhas livrarias. Os cerca de 30 participantes conviveram entre si ao som da animação musical de Oti Fortes e Gonçalo Costa nas guitarras e Pedro Mocho no saxofone alto. Álvaro Figueiredo abriu a tertúlia com um poema de Vinícius de Moraes. A escolha foi aleatória, confessa.

As Tertúlias do Zero realizam-se no Ateneu e os participantes pagam para falar e ouvir falar de vários assuntos. O espaço é apresentado como um bar com música ao vivo onde qualquer pessoa pode conviver com os amigos mas também subir ao palco e tocar um instrumento, ler um poema ou encenar uma peça de teatro na hora. Entre o público estavam muitos dos “suspeitos do costume” - pessoas ligadas ao Ateneu e que se juntam na tertúlia a conviver todas as semanas. Na página do Facebook da tertúlia, 44 pessoas disseram que iam aparecer mas algumas não foram vistas. Outros apareceram pela primeira vez. Jorge Pinto levou os colegas Inês Nunes e Jonas Ventura. “Já conhecia o ambiente e decidi trazê-los. A última vez que vim estava aqui um grupo a tocar jazz, foi muito bom”, nota Jorge Pinto. Para os três amigos não há nada como conviver cara a cara. “As redes sociais facilitam contactos mas não substituem as relações entre as pessoas”, notam. Nas Tertúlias do Zero nunca se sabe o que vai acontecer a seguir.


Mesmo assim muitos dos presentes confidenciam que é preferível isso do que ir a um bar onde “só se bebe” ou ficar em casa a olhar para a televisão. “O sucesso desta tertúlia reside no facto de ser um espaço cultural, um lounge, um bar, um ponto de encontro e um espaço aberto. Não é uma tertúlia privada de uma família rica, é de todos e funciona todo o ano”, nota Sérgio Pimenta, que costuma participar.

A “entrada proibida” recebe os visitantes e mergulha-os nas luzes vermelhas e nas velas que tornam o ambiente intimista. À entrada existe o “senhor tímido”, um pobre manequim a quem tudo acontece, inclusive perder as calças. Há roupas em cabides que os participantes podem vestir e usar em palco. Há livros de poesia espalhados pela tertúlia que podem ler. As “Tertúlias do Zero” realizam-se todas as sextas-feiras, entre as 22h00 e as 02h00 no Ateneu Artístico Vilafranquense e nascem de uma ideia do grupo Teatro do Zero. Diz a organização que o conceito diferente tem cativado cada vez mais público e está a tornar-se num caso de sucesso. Entrar na tertúlia custa 2,5 euros por pessoa, 2 euros para grupos de cinco pessoas e 4 euros por cada passe mensal. É uma forma de ajudar o Ateneu e quem aparece diz que não se importa de pagar

Fonte: O Mirante

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