MSM: Música para senhoras... e não só!


   Pois é amigos, há dias foi-me lançado o desafio de escrever para este blog. Convite esse, que aceitei com o maior prazer, de participar nesta partilha de experiências. Neste caso resolvi criar aqui o espaço "Música em Segunda Mão" (MSM), onde vou tentar transcrever, de uma forma leve e agradável à leitura, alguns gostos, experiências e um pouco das sensações que vou granjeando neste nosso pecado comum que é a música. E música de todos os tipos. Vou tentar ser o mais ecléctico possível, porque esta também é a minha maneira de estar. Fica aqui carimbado o meu desejo de que gostem, participem e, quem sabe, obtenham o mesmo prazer que eu, a descobrir ou relembrar com as minhas escolhas.
 

     Para primeira escolha, trago-vos uma feliz descoberta que me foi proporcionada já neste ano de 2014: Miley Cyrus!! Mentira... não vou escrever sobre a Miley Cyrus, bem basta levarmos com ela nos mídia, pelo que vou poupar-vos a esse triste espetáculo. Venho dar-vos a conhecer, caso ainda não conheçam (que esta ressalva fique para o futuro), uma "menina" chamada Cheyenne Marie Mize. Uma "menina" que de menina não tem assim tanto, pelo menos na música. É uma senhora, posso garantir. Polivalente no que respeita a instrumentos, guitarra, violino e teclas, e não só. É também bastante versátil na sonoridade que apresenta ao longo dos 3 álbuns já editados. Cheyenne Marie Mize editou o primeiro em Outubro de 2010 e, por isso, não é nada novo. É para mim e estou a divertir-me à brava a descobrir e a ouvir esta miúda. Este primeiro álbum dá pelo nome de "Before Lately", é intimista e tem uma sonoridade bastante crua e naif, mas brilhantemente compensado pela voz. Essa sim, o grande suporte deste álbum. Uma voz melosa que vai ziguezagueando por guitarras acústicas, pianos e violinos que sobressaltam por todo o disco. Melodias simples e cativantes, e é também nessa simplicidade que encontro a beleza deste disco, na qual se destacam, na minha opinião, os dois últimos temas dos dez, "With (out)", onde o saltitar de uma guitarra se mistura com um leve rufo de bateria e "Doctor" onde, acompanhada apenas de um piano, Cheyenne mostra todo o esplendor da sua voz.
      Dois anos depois, Cheyenne Mize lança o "We Don't Need", este sim, a grande "obra prima" dela. Um álbum muito mais introspectivo e elaborado. E, ao contrário do primeiro álbum, em que faz todas as questões ao mundo, este parece cheio de certezas. Decidido, com atitude e aguerrido, a guitarra acústica foi trocada pela eléctrica, dando um som mais agressivo em certas faixas do álbum. Tudo isto é, claro está, reflectido na sua voz agora mais desgarrada. O "We Don't Need" começa surpreendentemente com a faixa "Wishing Well", com uma precursão de fazer, seguramente, inveja às escolas de samba portuguesas e com um voz fortíssima em tons de R&B. Este álbum tem faixas para todos os gostos, blues, folk, rock e isso tudo junto. É um álbum curto, tem apenas seis faixas, mas versátil o suficiente para perceber a procura da artista. Se tivesse que escolher uma faixa, pessoalmente escolheria a "It Lingers" que podem ver no vídeo abaixo, porque gosto das guitarras e da alteração de ritmos que a música proporciona, dando uma ideia de dualidade e contraste.
     O último álbum é do ano passado, tem o nome "Amoung The Grey" e é um álbum já perfeitamente adulto, há momentos em que me faz lembrar essa gigante da música de nome PJ Harvey. O álbum tem o tempo e as pausas na medida certa, homógeno, cheio, prazeroso e com muito mais que uma bela voz para nos roubar os sentidos. Os arranjos estão mais "salientes" e com uma suave eletrónica que torna o álbum bastante contemporâneo. O piano e as guitarras continuam lá bem audíveis, a voz também. Deste, aconselho vivamente a faixa "Whole Heart", tem um traço do folk, violoncelos desconcertantes ao fundo que vão variando o humor ao ritmo de uma batida dançante. É suave e intoxicante.
     A música de Cheyenne Marie Mize vai seguramente agradar às mulheres e não só! Esta americana da terra do Super-Homem, Louisville, tem de tudo para todos os gostos e com um aroma bastante feminino. Uma voz que fica no ouvido, no meu caso, recusa-se a sair. Espero que gostem e que se divirtam!

     Até uma próxima...!

 

2 comentários:

JCM (João Carlos Martins) disse...

Se o teu texto fosse a ementa de um restaurante, experimentava pedir o que apresentas.
Ouvi o amuse bouche que deixaste e não me arrependi. Mais tarde, irei ao mercado YouTube procurar outras iguarias (se as houver) desta Cheyenne Marie Mize (nome bem curioso). Um abraço.

Renato Matos disse...

Viva João! Ainda bem que te levei a ouvir Cheyenne Marie Mize, esse é o grande objectivo. Aconselho, se ainda não tens, a aplicação "spotify". Lá, dá para ouvires de tudo, mas mesmo tudo, dela e não só. Tem mesmo de tudo para todos os gostos! É fantástica, grátis e de muito fácil utilização. No youtube há alguma coisas dela, mas na maioria delas ao vivo.
Espero ver-te por aqui nos próximos!
Grande abraço!!

 

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“Se há característica irritante em boa parte do povo português é a sua constante necessidade de denegrir e menosprezar o que é feito dentro de portas. Somos uma nação convicta de que nada de bom pode sair da imaginação do português comum e que apenas o que nos chega do exterior é válido e interessante.”