Nem tudo o que vem do Texas é mau...

Hoje aqui no Música em Segunda Mão decidi trazer-vos uma mistura explosiva.
Imaginem um grupo com nome de desodorizante, formado por um conjunto de geeks dos dias de hoje, com guitarras de jazz com a distorção do rock mas que tocam blues, uma bateria bem old school a fazer-nos lembrar o som de Keith Moon dos The Who, um guitarrista que visualmente parece o Chris Isaak só que com os jeans puxados ainda mais para cima, um baixo de som robusto que pensamos que é um "negão" de 2 metros de altura que o toca mas na verdade quem o toca parece um miúdo de 15 anos dos anos 70. Imaginaram tudo isto? Se disseram que sim, estão a mentir! É que eu também pensava que era impossível que alguém conseguisse puxar as calças mais para cima que o Chris Isaak... simplesmente não era possível! Mas é, infelizmente.
Eu tenho o hábito de, quando falo com alguém sobre música e me dizem "ouve x ou y, é muito bom!" ou quando ouço algo na rádio de que gosto, anotar nos rascunhos das mensagens no telemóvel os nomes. Tenho montes deles! E esta semana resolvi "experimentar" algo novo, fui aos ditos rascunhos e lá estava: "White Denim"! Sinceramente não me lembro quem me deu este conselho, desde já aqui deixo as minhas sinceras desculpas se foi algum dos que me leem neste momento, provavelmente posso refugiar-me na circunstância atenuante de que já passava da uma da manhã e aí é perfeitamente aceitável.
Liguei o "spotify", cujo aproveito para dizer que é uma aplicação, para mim, recente mas da qual já não me desfaço, fiz a pesquisa da banda e decidi começar pelo fim, ou seja, o último álbum, "Corsicana Lemonade"(?). Posso dizer-vos que fiquei, literalmente, vidrado nos primeiros 10 segundos, um riff de guitarra a fazer lembrar The Raconteurs do, agora famigerado, Jackie White e a bateria também ao mesmo estilo.
Coincidência a banda se chamar White Denim? Não faço ideia, mas que me fez lembrar logo à primeira o som de The Raconteurs que eu tanto gosto, fez. 

Tudo o que viesse a seguir podia ser mau, já tinha valido a pena pela primeira música, "At Night In Dreams". Mas nada disso, tudo o que veio a seguir foi, para mim, ótimo. Vieram mais riffs mirabolantes de guitarra, veio o rock sinfónico, veio o progressivo, veio o jazz, veio o blues, o country e às vezes tudo na mesma música! Estou a achar excelente este quarteto do Texas que, segundo reza a história, já têm 6 albúns e vários EPs. Confesso, fiquei tolhido logo neste último.
Gostei também particularmente do penúltimo álbum deles intitulado de "D". Com músicas curtas mas a fazer lembrar grandes obras do rock sinfónico que se fazia nos anos 80, no tempo em que José Cid ainda fazia música. Deste disco "D" destaco "Back At The Farm", é aqui que verdadeiramente regressamos, como diz o titulo da música, aos 80. Bem progressivo, com a bateria a dar o mote, um riff repetitivo, o baixo a completar a guitarra e parte-se para a "viagem", com pouca letra, à antiga!
O resto do álbum é muito semelhante, cru como gosto, verdadeiro. Algumas baladas pelo meio, simples e melódicas cantadas com uma voz bastante agradável. Mas no "D" predomina o sinfónico, sem dúvida que me fez lembrar velhos tempos, velhas experiências. E eu gosto de música nova que nos faz olhar para trás.
Com uma certeza vos deixo, estes senhores do Texas são muito bons, agora se se gosta ou não é outra história. E também são uma máquina de fazer música, em 7 anos de existência fazem 6 álbuns. É caso para dizer que nem tudo o que vem do Texas é mau... Eu gosto e muito e por isso revolvi partilhar convosco a experiência! 
Espero que gostem e se divirtam!



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“Se há característica irritante em boa parte do povo português é a sua constante necessidade de denegrir e menosprezar o que é feito dentro de portas. Somos uma nação convicta de que nada de bom pode sair da imaginação do português comum e que apenas o que nos chega do exterior é válido e interessante.”