Mais construção em leito de cheia

Já ninguém pode invocar desconhecimento. Ninguém - nem um leigo, nem um governante, nem um construtor - pode hoje dizer que nunca ouviu falar dos elevados riscos da construção em leitos de cheia. Todos estamos cansados de saber: não se pode construir uma urbanização num leito de cheia. Esta regra - hoje básica - é sobretudo relembrada quando acontecem as tragédias. Nessas alturas em que se vertem muitas lágrimas e os governantes manifestam a sua "mais profunda solidariedade" para com as vítimas ou para com os familiares das vítimas que morreram, somos recordados que a tragédia se deu devido aos erros cometidos no passado: "toda esta construção foi feita em leito de cheia e o resultado está agora à vista". Daqui para o futuro, dizem-nos então, é preciso não voltar a cometer os mesmos erros.

Por exemplo, neste local de Vila Franca de Xira...


...já ocorreram cheias como esta. Trata-se do leito de cheia do Rio Tejo. É, portanto, um local adequado para... construir uma urbanização - em 2010, século XXI.

Foi isso que, atónitos, pudemos verificar através do Biosfera de 3/2/2010, onde, além de outros casos - como o da construção de uma linha de metro no leito de cheia do (sempre) maltratado Rio Tinto -, se chamou a atenção para mais esta aberração construtiva da nossa terrinha:



Para quem tenha ficado na dúvida se terá ouvido bem, fica aqui o registo das palavras do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, através das quais nos inteiramos da extrema simplicidade desta questão:

"Estamos a falar da necessidade de que Vila Franca de Xira pudesse se expandir. No seu centro vital hoje em dia essa expansão não é possível. E portanto a expansão terá que ser necessariamente para aquela zona".

E pronto. Nada mais simples. Já não há outro espaço para construir mais - portanto tem de se construir ali.

Como é que na nossa terrinha ainda se pode construir uma urbanização num leito de cheia? Como é que é possível?...

No futuro: no futuro é que é. No futuro vamos tentar não cometer os erros do passado e... do presente. Para que não ocorram as tragédias que tomos conhecemos...

[Enviado à Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e ao Departamento de Planeamento, Gestão e Qualificação Urbana da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira em 9/2/2010]

Fonte: Blog A Nossa Terrinha por Joana

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